3 de abr de 2013

ALAYLM: Capítulo 1 - Princess?


POV Katheryn.

– Toma, experimenta isso. – Disse minha mãe, me entregando um laço enorme.

– Mãe, você sabe que eu não gosto desse tipo de coisa. – A olhei incrédula.

– Mas seu noivo vai gostar. – Ela insistiu para que eu experimentasse.

– Ele deve gostar de mim pelo que eu sou, e não pelo que a senhora quer que eu seja. – Peguei o laço e coloquei no meu cabelo, e depois caminhei até o espelho. 

– Você está linda. – Minha mãe disse com um enorme sorriso atrás de mim.

– Não to não! – Retirei o laço – Mãe, eu não quero me casar, será que você não consegue entender? –

Comecei a retirar as roupas ridículas que minha mãe havia me comprado.

–  Você não tem que querer, é a tradição. – Ela disse com a maior tranquilidade, como se fosse normal se casar com uma pessoa que você nem mesmo conhece. – Cody é um ótimo rapaz, tenho certeza de que quando você o conhecer vai mudar de ideia. – Ela completou.

– Pode até ser, mas Mãe!... eu só tenho 18 anos, eu quero curtir minha vida, conhecer coisas, pessoas e lugares novos.

– Katheryn isso não é vida de uma princesa. – Ela ressaltou.

– Verdade, eu não sei por que eu nasci uma princesa... não tenho liberdade pra fazer nada! – Ela me fuzilou

– Quer saber, eu cansei. – Desabei na cama.

– Você não sabe nada mesmo, não sabe a ótima vida que tem... Mas não adianta, qualquer coisa que eu fale não vai mudar esse seu jeito. Tem horas que você chega a ser insuportável. – Ela me deu as costas, caminhou até a porta irritada mas parou de repente. – Esteja pronta as 19h, seu noivo virá aqui hoje. – Ela
me deu as costas novamente mas dessa vez foi embora.

Respirei fundo, tudo aquilo me deixava com raiva. Eu não odiava minha vida por completo, odiava o fato de ter que me casar cedo. Eu queria sair, me divertir, e ter amigos normais, e não um bando de patricinhas metidas a riquinhas, que só sabem falar sobre roupas, lugares e bens materiais. Entrei dentro do meu closet, fui até as ultimas estantes, aonde eu meio que escondia minhas roupas normais. Retirei minha coroa e calcei um All Star rapidamente, coloquei um casaco por cima do meu vestido que não era longo e nem chamativo, era neutro como eu gostava. Sai despercebida do palácio, caminhei pelas ruas normalmente sem ser conhecida, pois eu andava de cabeça baixa e o capuz cobria metade do meu rosto. Eu andava sem rumo, as vezes eu faço isso, é como se as vezes eu precisasse disso. Eu caminhava por um lugar mais isolado, tipo um beco sem saída quando esbarrei em alguém, fui empurrada para trás caindo no chão. Senti um ardor no meu
braço e quando chequei havia um corte pequeno, mas que já estava sangrando.

POV Justin.

Esbarrei em alguém enquanto guardava a faca em meu bolso. A faca caiu no chão, então me abaixei para pega-lá rapidamente antes que a pessoa visse e ajuda-lá a levantar. Quando me abaixei pude ter a visão do rosto de uma garota que estava meio escondido por um capuz. Ela segurava seu braço que estava sangrando pelo corte da faca.

– Droga! – Ela disse olhando para mim.

– Desculpa, eu não queria te machucar. 

– Então por que você anda armado? – Ela me questionou.

– Por que você esbarrou em mim?

– Eu não esbarrei em você, você esbarrou em mim. – Ela disse com arrogância.

– Tanto faz, deixa eu ver isso. – Puxei seu braço até mim. Ela me olhava confusa enquanto eu observava o
corte. – Temos que ir ao hospital, isso tá sangrando mas que o normal.

– Hospital não! – Ela disse me assustando – Quer dizer... não precisa, eu to bem. – Ela se levantou.

– Eu não vou deixar você ficar com o braço assim! – Me levantei – Vem, eu conheço alguém que pode te ajudar.

– Eu já disse que não precisa. – Ela me deu as costas.

POV Katheryn.

Ele era um estranho, parecia não ser confiável porque... que tipo de pessoa anda armada? Meu braço sangrava bastante, ele ardia e se eu voltasse para o palácio assim, iria chover perguntas em cima de mim. 

– Você pode confiar em mim. – Ele vinha atrás de mim enquanto eu acelerava meus passos, meu sangue respingava pelo chão. Aquele garoto pedia para que eu confiasse nele, mas quem sabe ele não era um sequestrador, um assassino, um estuprador ou qualquer outra coisa do tipo? as duvidas cercavam minha cabeça mas por algum motivo decidi aceitar.

– Tá, mas... – Respirei fundo e ele me interrompeu.

– Entra ai. – Ele disse abrindo a porta de um carro que estava parado perto de nós. 
Assim fiz, ele arrodeou e logo entrou. Ele deu partida e dirigia feito um louco pelas ruas. Não demoramos muito e chegamos a uma casa enorme. Ao entrar ele começou a gritar por um garoto enquanto eu o seguia.

– Chaz! – Ele gritava enquanto olhava em cada canto, eu apenas admirava a casa.

Um garoto desceu as escadas correndo e assustado, ele estava descalço e sem camisa, seu rosto estava
amassado, era como se ele tivesse acabado de acordar.

– Oque foi cara? – Ele parou ali mesmo ao me ver – PRINCESA? – Me assustei. Como ele me reconheceu tão rápido?.

– Princesa? Vocês se conhecem? – O loiro que me trouxe ali disse confuso.

– Você não? – Chaz perguntou obvio. 

– Não (?) – Ele respondeu ainda confuso.

– Ela é a princesa Katheryn, qual é, sua mãe vive fazendo matérias sobre ela. – Chaz disse ainda obvio.

– Princesa é... então tá! Chaz eu preciso que você faça um curativo nela antes que a fada madrinha dela me amaldiçoe. 

Os dois começaram a rir igual dois bobões, ficaram rindo por um tempo até perceber que eu os olhava incrédula.

– Não tem graça! – Eu disse seca.

– Desculpa. – Disse Chaz tentando se recompor. – Eu vou pegar o kit de primeiros socorros lá em cima. –

Chaz subiu as escadas apressadamente.

– Ele não tem cara de quem entende dessas coisas. – Eu disse enquanto segurava meu braço novamente.

– É... – Ele disse se sentando. – Então você é uma princesa?

– Sou – Respondi.

– Nossa, que "Sou" mais sem sal.

– Sou com sal – Eu disse irônica e ele riu. 

– Senta ai – Ele se referiu ao sofá que havia ali. 

– Vai manchar de sangue. 

– Pode sentar.

– Valeu... qual é seu nome mesmo?

– Justin! – Nome bonito para um garoto bonito. Sorri ao pensar aquilo e ele me questionou.

– Oque foi?

– Nada... cadê o Chaz? vou ter uma hemorragia no seu sofá. 

– Chaz! – Ele gritou. 

– Já vai. – Ouvimos a voz de Chaz abafada por ele estar no andar de cima.


– Por que você está se escondendo?

Antes que eu respondesse Chaz entrou na sala correndo, com uma caixinha nas mãos, ele se ajoelhou na minha frente e colocou a caixinha ao seu lado.

– Me permita alteza! – Ele brincou e eu estendi meu braço.

Chaz parecia tão concentrado no que fazia, ele era cuidadoso com aquilo e depois de alguns minutos, o curativo estava pronto e o sangue estancado.

– Nossa. – Eu disse avaliando o curativo em meu braço. – Obrigada!

– De nada! – Chaz sorriu.

– Que horas são? – Perguntei pois não tinha noção do tempo.

– São 17h55. – Justin respondeu guardando o celular em seu bolso.

– Eu tenho que ir. – Me levantei.

– Já? – Justin também se levantou.

– Já...

– Tira uma foto comigo? – Disse Chaz sorrindo.

– Desculpa, mas hoje eu não posso! – Chaz parou de sorrir e se levantou.

– Então tá. – Chaz disse sem humor.

Caminhei até a porta, Justin caminhou na minha frente e abriu a porta para mim.

– Posso te levar até lá. – Ele disse me olhando profundamente.

– Acho que você já fez coisas de mais por mim hoje. – Respondi.

– Não tem problema, eu te levo! – Ele insistiu.

– Então tá. – Abri um sorriso.

– Quer ir Chaz?

– Não, não... eu vou voltar a dormir. – Percebi que Chaz piscou para Justin.

– Então vamos! – Justin deu espaço para que eu passasse.

Conversamos o caminho todo, não foi uma conversa por que ele dirigia loucamente, do jeito que eu gostava. E o mais legal foi saber que o garoto que eu julguei um assassino, sequestrador ou estuprador não era nada disso. Pedi para que ele me deixasse uma rua antes do palácio para não chamar atenção e não ser percebida pelos seguranças.

– Obrigada por me ajudar. – Disse a Justin que desligava o carro.

– De nada – Ele sorriu.

– Você não me respondeu o por que de você está se escondendo... – Ele se virou para mim.

– Eu não to me escondendo! –  Tentei parecer convencente.

– Então tá, não vai querer me falar mesmo? – Ele insistiu.

– Não – Revirei os olhos – Então... acho que... Adeus!

– Adeus (?) – Justin respondeu enquanto eu saia do carro.

Caminhei até a esquina, e percebi que Justin esperava eu sair do alcance de suas vistas. Entrei pela entrada das pessoas que trabalhavam para nós e corri até meu quarto. Retirei o casaco e o All Star e logo ouvi a voz de minha mãe me chamar.

– Katheryn! – Ela me chamava por trás da porta.

– Só um minuto. – Respondi gritando.

Joguei os tênis e o casaco em baixo da cama e caminhei até a porta coçando os olhos para parecer que eu havia acabado de acordar. Abri a porta bocejando e minha mãe me olhava com um olhar de negação.

– Você estava dormindo? – Ela me perguntou entrando.

– Sim, por que? – Menti.

– Eu te chamei varias vezes e nada.

– É... eu tenho... sono pesado!

– Isso é verdade, agora vai se arrumar, daqui a pouco Cody chega aqui. – Ela disse me lembrando do que
eu queria esquecer.

– Tá. – Caminhei até o banheiro e quando escutei a porta bater, voltei para a cama novamente. – Ufa! – Respirei fundo aliviado, ela nem mesmo notou o curativo em meu braço.

[...]

Estava a caminho do salão aonde meus pais, e Cody estavam. Eu queria dar meia volta, e sair correndo feito louca pelo palácio para não conhece-ló. Quando entrei, Cody e meus pais olharam para mim e ficaram me olhando. Nossos pais saíram da sala nos deixando a sós. Ficamos em silencio enquanto eu mexia no meu celular, eu podia escutar o vento.

– Katheryn! – Disse Cody chamando minha atenção. – Eu sou Cody!

– É, eu sei. – Continuei mexendo no meu celular, o ignorando completamente.

– Você não precisa me tratar assim...
CONTINUA



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